sexta-feira, 14 de março de 2008

A importância de conhecermos novas culturas

Os ensinamentos da administração nos levam a aprender que “o que deu certo em uma empresa, não necessariamente vai dar certo em uma outra empresa”. Essa é uma cultura desenvolvida pelos empresários desqualificados que ainda insistem em administrar de uma maneira pré-histórica. Já diz o ditado que “a única certeza que temos é que tudo vai mudar”.

Os empresários mais modernos devem ficar atentos para o fato de que cada mercado tem as suas peculiaridades. Praticamente nada do que se expõe ou se vende com méritos em um local vai ser vendido também com méritos em um outro mercado. Cada cidade/região tem as suas preferências, culturas, gostos e motivações para comprar. Dependendo do tamanho da cidade, essa preferência se altera até mesmo de um bairro para outro. Isso sem falar no mercado internacional.

Há três anos atrás pude abrir a minha mente com relação às mudanças culturais. Após me tornar um profissional de marketing, no segundo semestre do ano de 2004, pude conhecer uma cidade/região que verdadeiramente cresce. Até então, vivia, convivia e conhecia apenas o cenário da pequena capital onde vivo e algumas poucas cidades “crescidas”, como é o caso de Recife e Natal. Quanto erro! Os livros ensinam que devemos conhecer novas regiões para apreendermos com a vida vivida em cada lugar. O meu mundo era pequeno e eu não sabia. As ferramentas que eu tinha acesso e que eu as qualificava como modernas já estavam ultrapassadas. Os formadores de opinião daqui comportavam-se de maneira vendida com os que os “convencem”. Os políticos ainda se comportam com mesquinhez na briga pelo poder sem dar a mínima para o povo eleitor.

Direcionando-me apenas para o lado do mercado/empresas/negócios, pude constatar como Brasília, Goiania e região são cidades que estão há anos luz à frente de onde vivo. Pude conhecer mega-empresas, hotéis, instituições públicas, empresariais, centros de lazer, novas tecnologias infinitamente mais modernas do que eu tinha acesso, equipamentos médicos de 4ª dimensão (sim ... existe equipamento de exame médico de 4ª dimensão).

Partindo para o lado das preferências culturais e gastronômicas, que por sinal são excelentes nichos de mercado para ser ganhar dinheiro, pude ver que muita coisa muda. Lá, dificilmente se tem acesso às comidas e refeições que temos no Nordeste e, quando se encontra, é uma verdadeira festa de nordestinos “matando” a saudade da culinária e dos demais freqüentadores da casa. A união, respeito e irmandade “fala” muito forte quando se descobre que temos um irmão nordestino lutando em terras alheias. Do nada, nos tornamos irmãos, respeitando e sendo respeitado.

Culturalmente, pude constatar que somos mais humanos. Temos mais interesse em conhecer pessoas. Temos mais interesse em ajudar as pessoas. Na terra que JK construiu, descobri que a mão-de-obra empregada foi praticamente toda nordestina. Brasília já foi e é “casa” de grandes nordestinos proprietários de empresas privadas e da vida pública nacional.

Claro que as dificuldades que existem nos grandes centros são bem maiores das que encontramos no nosso “interiorzinho”. Porém, como se explicar que, apesar da diferença do custo de vida, um profissional recém contratado em Brasília recebe o equivalente a uma vida inteira de sacrifício aqui em João Pessoa? Como aceitar que aqui não temos nenhum acesso (fora via internet) das novidades tecnológicas do mundo moderno? Como aceitar que não temos grandes eventos na nossa província e nunca assistiremos presencialmente grandes palestrantes interagindo conosco? Como aceitar que não acolhemos nem mesmo os grandes shows dos grandes nomes da música brasileira e internacional porque não temos nem mesmo uma casa de show digna? Como aceitar que perdemos de assistir as grandes peças teatrais porque nem teatro espaçoso nós temos? Como conhecer obras culturais, quadros, pinturas, arte se não possuímos nem mesmo um museu?

Vamos exemplificar de outra maneira: a Paraíba não deve nada para as belezas naturais do Rio Grande do Norte. Mas, vocês já pararam pra pensar que estamos incrivelmente “comendo poeira” para os potiguares que tiveram o mérito de transformar um simples pé de caju gigante em uma região turística reconhecida mundialmente? Nós paraibanos sabemos, lembramos ou damos o devido valor aos demais paraibanos que são reconhecidos fora do nosso estado? Quer que cite nomes? Luiz Vasconcelos e Mayana Neiva na Rede Globo. José Neumanne Pinto como um dos grandes jornalistas nacionais. Valdeno Brito no automobilismo. Ney Suassuna (o empresário) como um dos grandes empresários do país. A banda Capim Cubano se apresentando em todo o Brasil. A revista Nordeste conquistando espaço nacional. Isso, sem falar nos consagrados nomes de Ariano Suassuna, Zé Ramalho, José Lins do Rêgo, Chico César, Zé Marco e os quase paraibanos Emanuel e Ricardo, etc etc etc

Mas, porque será que TODOS esses nomes precisaram sair da sua terra para crescerem e serem reconhecidos na vida? Porque será que continuamos dizendo que a Paraíba VAI (futuro) crescer, se desde a época dos nossos avós que eles também escutavam isso?

Precisamos crescer verdadeiramente. Precisamos investir em capital humano e empresarial. Precisamos fazer com que os nossos potenciais voltem ou continuem vivendo aqui na PB. Da maneira que está, estamos sendo expulsos !

Viva a Clínica de Ginecologia e Obstetrícia Artemis, dirigida por um paraibano lutador que se lançou há 16 anos no mercado de Brasília. Lá, o Dr. Julio César Nóbrega investiu a sua vida. Lá ele constrói a sua família. Na sua clínica, ele já investiu na compra de duas das máquinas mais moderna do mundo para exames nas gestantes. São máquinas super hiper caras que nos mostram os nossos futuros filhos (as) lá no ventre materno. As imagens são em quarta dimensão e chegam a mostrar o sorriso daquele ser prestes a chegar ao mundo. Paralelamente, descobri que em toda a cidade de João Pessoa, somando-se todas as clínicas públicas e particulares da cidade, existe apenas uma única máquina desse tipo. Se isso for verdade, especificamente nessa área de saúde/exame, a cidade de João Pessoa com os seus quase 850 mil habitantes, foi ultrapassada por uma única clínica médica que possui apenas seis funcionários, que mede cerca de 40 metros quadrados, mas que investe no seu potencial e respeita os seus clientes e seu povo.

Muda Paraíba. Muda João Pessoa. Porque se não quem vai embora sou eu.

Rodrigo Nóbrega
rodrigonobrega@terra.com.br
14.03.08

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